Essa discussão já tem alguma idade e confesso que me deixa dividido: o declínio do futebol europeu… quando praticado por europeus, o que se dá, basicamente, nos selecionados nacionais.
Em post de ontem, o Telmo Zanini tocou no assunto e creditou essa queda, constatada pela classificação de sete das oito equipes americanas e pela eliminação de monstros sagrados, como Itália e França, à utilização cada vez maior de jogadores estrangeiros em suas equipes de ponta. Chegamos ao absurdo de, recentemente, vermos o campeão inglês sem nenhum jogador nascido na velha Albion em sua formação titular. Mais recentemente, o atual campeão europeu conquistou o título sem nenhum nativo da Bota. Como disse o Telmo, é mais fácil, cômodo, barato e com ótimos resultados, vestir a velha roupagem colonialista e buscar a melhor mão-de-obra disponível nas velhas (velhas?) colônias. No caso presente, o melhor pé-de-obra.
Essa preferência resulta na formação de times de clubes fortes e selecionados nacionais fracos, mesmo com algumas inclusões de pé-de-obra colonial em suas fileiras. Os nativos europeus não têm intimidade com as grandes conquistas, jogam em equipes menores ou são personagens secundários em times de ponta. Não têm estofo vencedor.
Concordo totalmente com essa colocação.
Mas vou além num outro ponto: assistir às copas recentes, as mais diversas, têm mostrado uma grande geleia geral, um monte de “mais do mesmo” no futebol, e desse monte não fogem, inclusive, equipes que deveriam ser diferentes, como o Brasil. Os times estão descaracterizados. Ainda resta uma Argentina aqui, um Uruguai logo ali, uma Suíça – pasmem! – e seu ferrolho italiano piorado, a Fúria espanhola tentando, mas o resto é tudo igual. Times que não sabem jogar atacando, nem mesmo a famosa seleção Canarinho, e preferem o comodismo do contra-ataque e a exploração do erro do adversário. Acabou-se, aparentemente, o tempo em que as Copas do Mundo mostravam grandes confrontos de escolas de futebol.
Justamente por isso, sempre fui favorável à ideia de Blatter, hoje também de Platini e outros dirigentes europeus, de implantar o 6+5 nos clubes do Velho Mundo, ou seja, toda equipe deveria contar com pelo menos seis jogadores nascidos no mesmo país do clube.
Ah, mas essa proposta cheira a fascismo e fere os direitos humanos, ao limitar o emprego de pessoas por conta de seu local de nascimento.
É… Esse é um ponto complicado, sem dúvida. Sou favorável, e nem poderia ser diferente, à plena liberdade de toda pessoa trabalhar onde puder e quiser, assim como à total liberdade de ir e vir. Mas a proposta do 6+5 é mais ampla que isso.
Parte de meu apoio a essa proposta deve-se a dois fatos: de um lado irá valorizar ainda mais os jogadores que farão parte dos “5” e, ao mesmo tempo, deixará mais jogadores por aqui. O que será bom para o torcedor brasileiro, mas muito injusto para o futebolista brasileiro, que verá seu mercado de trabalho, que hoje é global e ilimitado, diminuído. Até porque, sejamos realistas, o tamanho de nosso mercado de trabalho para jogadores é mínimo e nossa oferta anual de pé-de-obra qualificado é gigantesca. Com extrema e meio irreal boa vontade, temos uns quarenta, cinquenta clubes de fato capacitados a empregarem essas pessoas durante os doze meses do ano, pagando-lhes o salário e demais direitos mais ou menos em ordem. Quantos jogadores podem esses clubes absorver a cada ano? Duzentos? Trezentos? Menos, bem menos, e a oferta que chega ao mercado, a cada ano, embora sem números precisos, supera a casa dos quatro ou cinco mil jogadores – ou, pelo menos, jovens que se julgam aptos a isso e querem trabalhar nessa área da economia.
Torço pelo sucesso do Barcelona, sempre, pois o clube tem uma filosofia de jogo e de utilização de atletas diferente da maioria dos outros. Lamentei profundamente a conquista da Internazionale, da mesma forma que nunca morri de amores pelas conquistas do Manchester United. Não vejo graça nesses times, assim como não vejo graça e identidade na quase totalidade das seleções que disputam essa Copa. Exceção feita à brava Celeste Olímpica, principalmente.
Enquanto isso sigo torcendo pela aprovação e implementação do 6+5, mesmo contendo algumas imperfeições.
Quem sabe, depois dessa Copa, o Parlamento Europeu passe a ver essa proposta com melhores olhos?

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