PENSO LOGO “INSISTO”!
Essa insistência nossa de cada dia em fazer citações de grandes nomes da humanidade, reflete, basicamente, aquilo que somos, enquanto produtos do meio. Fora as reminiscências de nossos aprendizados, somos, sem dúvida, essência do que queremos e podemos ser. Este preâmbulo se justifica por que aqui quem está escrevendo e um cara que foi, literalmente, expulso de Capitão Poço por causa da falta de oportunidade profissional e pelo amor de amigos como, os “Rodolfo’s” da minha vida, o Urubu de Proveta, Sganarelli, Arturo, Valdete’s(com saco e sem saco), “Juvenais”, (o grande e o pequeno), Narões, Burrinhas e etecétera, etecétera e etecéteras... E, basicamente, a minha família e meus amigos demais que viam em mim uma esperança de talentos reconhecidos que viria lhes dar orgulho e satisfação (no fundo eles só queriam o meu bem). A “responsa” sempre foi grande. O mas impressionante é que em momento nenhum senti medo de nada. Encarei o mundo com uma gana peculiar aos que querem vencer. Aprendi, desaprendi, bati, apanhei, lasquei, fui, lascado, fiz sucesso e caí com mesma velocidade, corri entranhas, produzi frutos, casei, descasei, ganhei perdi e agora quero ganhar de novo. Desta vez não só pela experiência das acontecências, mas, principalmente pelo reconhecimento fundamental da minha falta de percepção e de medo (Aliás, as nossas ações são, na grande maioria, provocadas pelo medo. Ex: Nós plantamos por puro medo de faltar comida...), estou de volta, espírita e tecnologicamente, para participar de novo da vida mais linda da minha vida e que, por imaturidade e até puro egoísmo, deixei pra trás. Mesmo tendo ouvido uma vez um urubu me dizer, do alto da sua experiência, que um pássaro abandona o ninho, mas nunca sua prole.
Eu cometi este erro e só depois de muito tempo, percebi o porquê de minhas quedas: me faltava a base que havia abandonado ao deixar minha terra e meu povo, sem olhar para trás. Meu irmão de vida, Demerval Moreno, me disse um dia: “Puxa, meu mano! Ainda bem que um dia aconteceu uma Capitão Poço na minha vida. Sem aquela experiência eu não seria ninguém”!
Foi aí que percebi o quanto fui injusto com a minha vida. O quanto desrespeitei a minha formação. Bati o pé na parede, balancei a pança, dei um bico na bola do tempo e enchi meu peito do ar gostoso do meu torrão, revigorei minha mente com a presença dos amigos e da família, taquei uma “trivela” no pau da barraca, temperei a garganta sofrida pelo tempo e pelo fumo e gritei com toda a força e dentro de mim:
-Meu nome é Piru !!!!!!!!!!
Imediatamente o sol brilhou mais bonito; a poesia de novo ficou clara em minha verve; a força do amor escancarou meu coração; e decidi ser somente eu mesmo e dizer para quem vê Capitão Poço como o fim do mundo, que a melhor coisa da vida é saber que quando você cair, lá no fundo do poço não haverá lama para te consumir e sim um belo e forte trampolim que, de novo, te lançará para cima.
Roberto Guerrero
Em 05/01/2009

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